quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

E agora José Chirico?

  Finalmente foi publicado o livro "A privataria tucana", do jornalista Amaury Ribeiro Jr, pra quem acompanha política mais de perto,  sabe que o conteúdo é  explosivo, trata das relações nada éticas  do ex-governador Serra e alguns parentes, no processo de privatização das nossas empresas, dadas a preço de banana a um grupo de  generosos financiadores de campanha.
 O livro surgiu de um processo que o jornalista respondeu por ter desnudado o esquema de propina operado pelo tesoureiro de campanha do José Serra, o economista Ricardo Sérgio,  que nos  anos tucanos foi diretor do Banco do Brasil, e controlava a Previ, fundo de pensão dos funcionários do banco, o qual foi utilizado para influenciar os leilões das estatais. 
 Um outro livro sobre o  assunto foi escrito pelo saudoso jornalista  Alysio Biondi, chamado "O Brasil privatizado", no qual o autor faz uma análise do processo de privatização de algumas empresas, um livro necessário e que na  época sofreu o mesmo boicote dos grandes meios de comunicação, que hoje fazem um silêncio estrondoso em relação ao livro do Amaury.
  E mesmo assim, o livro de Aloysio chegou a vender mais de 170 mil exemplares, este livro está disponível on-line no site da fundação Perseu Abramo, vale a pena a leitura.(link abaixo) 
  Mas uma coisa me  chamou a  atenção, o livro sobre a privataria, possui mais de cem páginas de documentos, obtidos na CPI do Banestado, e eu fico aqui pensando com os meus botões, por que ninguém tá respondendo nenhum processo por conta desses desvios descobertos?
  Faz mais de 12 anos que esses fatos  foram descobertos, e ninguém respondeu por esses desmandos...
  Indagado sobre o livro, o ex-governador Serra respondeu simplesmente que o livro é "lixo, lixo e lixo", e a nossa imprensa tão vigilante nos desvios dos senhores ministros, não preocupou-se em apurar melhor essa história, poucos órgãos de imprensa falaram do livro,  que no primeiro dia de lançamento vendeu todos os 15 mil exemplares, e que na segunda  edição tem uma tiragem de 80 mil livros, e a mídia quase não trata do assunto. 
  Sempre ouvi falar do controle que os  tucanos tem da grande imprensa, e sobretudo  José Serra, que já pediu a cabeça de vários jornalistas, mas este  episódio do livro sobre a privataria, é escandaloso! 
  O deputado Protógenes, estava colhendo assinatura para a instalação de uma  comissão parlamentar de  inquéritoque irá apurar as denúncias , será que a mídia vai dar a essa investigação o mesmo tratamento que deu a CPI da Dívida Pública?  Ou seja, boicote geral!  E o povo das marchas, vai se mobilizar pra exigir providências e cobrar  transparência da mídia?  Nos livramos da censura militar e ficamos submetidos a censura do grande capital.

Livro Aloysio Biondi 

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

A USP e a gestão Rodas

   O assunto da semana, foi a ocupação da USP por cerca de70 alunos, que segundo a mídia venal estão reinvindicando o seu direito de fumar maconha. O que me espanta é ver a população em geral  aceitar essa a maluquice, ninguém questiona por que os estudantes quase não são ouvidos, por que as emissoras de tv colhem depoimentos e não fazem a matéria. 
   Para um fato existem três versões: a minha, a sua e a verdadeira! Pelo que sei o DCE-USP não votou pela ocupação, foi um grupo independente que resolveu dar andamento a empreitada, o estopim foi talvez a prisão dos três estudantes que foram presos por fumar maconha, a maneira como a coisa foi feita é que gerou todo o processo, foi a gota d'água.
   Os problemas da USP agravaram-se com  a eleição do reitor João Grandino Rodas, que  ficou em segundo lugar na votação, porém foi nomeado pelo governador Serra, algo que não acontecia desde a época da ditadura militar, destaca-se que Rodas, foi colaborador do regime.
   Vejo nas redes socias toda a sorte de críticas aos "maconheiros" , como são chamados os que fazem a ocupação, existe no facebook um post que aparecem  três períodos de luta estudantil, em 64, no fora Collor e por fim os estudantes da USP,  no final lê-se que dos primeiros tem-se orgulho e dos últimos vergonha, mas o que ninguém percebe é  que os estudantes de hoje estão brigando para garantir o direito conquistado pela juventude de 64, a custa de muita  tortura, mortes e muitos ainda estão desaparecidos.
    A atual gestão é autoritária, não respeita e não promove a discussão democrática, as decisões  são todas de acordo com a conveniência  do senhor reitor.  Lembro que, a mesma mídia que hoje criminaliza os estudantes da USP , ridicularizando sua luta, é a mesma que na  época da ditadura chamavam aqueles que lutavam por liberdade, de baderneiros e posteriormente de terroristas. 
   O que está em jogo na questão da USP é a autonomia universitária, a qualidade da Universidade, seu papel perante a sociedade, seu regimento ainda de 1972, herança do regime militar, que precisa ser mudado, e Rodas utiliza-se desse regimento para perseguir e punir alunos e funcionários que ousam  questionar os desmandos deste tirano.
   Quando vi na tv o governador Alckmin falando em aula de democracia, fiquei perplexo com tamanho cinismo, quem é  esse senhor pra falar em democracia? Um filhote da ditadura, alguém que controla a Assembléia Legislativa e não permite que nada seja investigado,  são mais de 80 CPIs engavetadas pelo rolo compressor tucano! Fosse o governador um homem sério, destituia Rodas da reitoria, dado o rol de denúncias contra a sua administração e que estão sendo apuradas pelo ministério público.
    Embora não tenha feito graduação na USP, frequento-a desde 1993, fazendo diversos cursos de extensão e aperfeiçoamento, cursos estes que ficaram escassos nesta gestão, nesse período pude constatar como os tucanos destroem o que é bom em São Paulo, começaram pelas escolas públicas regulares, em seguida foi a vez das ETEs e agora vem deteriorando a maior universidade da América Latina. 
    A USP precisa ser devolvida a população paulista, abrir-se para a comunidade, socializar e aplicar o conhecimento nela produzido para o bem da população que a finanacia, e deixar de servir aos interesses de um grupo autoritário e sem mínima preocupação com a qualidade da educação. Sendo assim , fora com o reitor Rodas, entulho autoritário.
    Segue abaixo, trecho da entrevista do  Prof Luiz renato Martins, que embora tenha sido gravada por diversas emissoras ,  não foi levada ao ar. Essa é a nossa mídia!!!


  

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Furnas e o mensalão

  A semana passada,  Bob Jefferson negou o mensalão, nenhuma novidade, mas muitos blogueiros ditos "progressistas" comemoraram a declaração, e mais uma vez  culparam o PIG (Partido da Imprensa Golpista, segundo PHA) por quase ter causado a queda de Lula em 2005, também achei a história do mensalão fantasiosa, um factóide que foi super dimensionado. 
   Mas a questão principal, o estopim que detonou essa crise, foi deixada de lado, trata-se da disputa pelo  controle de Furnas, estatal que rendia um bom dinheiro para campanhas e outras necessidades dos "políticos" em geral. 
   O embate pelo controle de Furnas, deu-se entre  Zé Dirceu e  Bob Jefferson; nos acordos políticos para apoiar o governo do PT, Lula  acertou com Jefferson que  a estatal seria controlada pelo PTB, Dirceu era contra e dizem as más línguas que armou a tal história da fita dos Correios, com intuito de enfraquecer o Bob e assim afasta-lo da galinha dos ovos de ouro e que era presidida por um tucano (isso mesmo, T-U-C-A-N-O), Dimas Toledo.
    No final das contas ambos caíram,  Dirceu e Jefferson, um por ser o  articulador do mensalão e  o outro por não conseguir provar o que denunciava,  durma-se com um barulho desses, e agora a culpa vai ser dos ministros do STF , que deverão absolver Dirceu das acusações,  o ministro Lewandovski foi flagrado falando ao celular que tinha decidido com "a faca no pescoço" e que a tendência era liberar Zé Dirceu.
   Esse episódio, está recheado de situações graves, que comprometem o Estado de Direito, e a parte principal e que no meu entendimento deveria ser o foco da investigação, nem é citada, ou seja, o uso de uma empresa estatal para arrecadar dinheiro de caixa 2 para campanhas eleitorais e afins. 
   No final da disputa por Furnas, quem  passou a controlar a estatal, foi Eduardo Cunha, do PMDB e que tem um histórico pouco recomendado, uma negociata com uma empresa de um amigo de Cunha, resultou em um rombo de mais de 70 milhões na estatal, e essa  questão passa ao largo de tudo que aconteceu, num país sério esse  cidadão e sua turma, deveriam estar dando explicações e de preferência hospedados no "PF Hilton", aqui na Lapa, mas por incrível que pareça ele foi escalado para fazer parte de um grupo de parlamentares que irão cuidar das regras da licitação das obras da Copa.
  A seguir posto uma matéria do jornal Valor Econômico que faz uma boa cobertura do episódio do mensalão.

Como Lula superou o episódio do mensalão


Autor(es): Cristiano Romero e Raymundo Costa, de Brasília
Valor Econômico - 21/05/2010 


Passados cinco anos da crise do mensalão - o escândalo que derrubou a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao nível mais baixo de seus dois mandatos -, fatos novos vêm à tona, como a proposta de renúncia ao cargo e à candidatura à Presidência em 2006 feita a Lula por aliados, a tentativa de Delúbio Soares de beneficiar um banco estrangeiro em troca de auxílio financeiro ao partido, e a peregrinação do empresário Marcos Valério no Banco Central para tentar mudar a lei de liquidação bancária.

O pior momento político do presidente Lula, em quase oito anos de mandato, ocorreu no dia 11 de agosto de 2005, quando o publicitário Duda Mendonça, instigado pelo senador Antônio Carlos Magalhães, deu um depoimento-bomba à CPI dos Correios. No testemunho, Duda associou a campanha presidencial de 2002 a crimes eleitorais e financeiros revelados no escândalo do mensalão.

Foi ACM quem convenceu Duda a contar "toda a verdade" à CPI dos Correios, uma das três criadas pelo Congresso em 2005 para apurar o mensalão, que eclodiu há exatos cinco anos. Duda não fora convocado pela CPI para depor. Em 11 de agosto, no entanto, após várias conversas com ACM, o publicitário decidiu ir à comissão. Antes, pediu proteção.

Num depoimento de quase dez horas de duração, Duda confessou ter recebido R$ 15,5 milhões do PT em 2003, em recursos de caixa 2, como pagamento da campanha presidencial do ano anterior. Do total, R$ 10,5 milhões foram depositados numa conta no exterior.

O depoimento levou a crise do mensalão para dentro do Palácio do Planalto e derrubou a popularidade do presidente ao nível mais baixo desde que assumiu o cargo - 28%, segundo as pesquisas do Datafolha em outubro e dezembro de 2005, índice impensável para o Lula de hoje em dia (de acordo com pesquisa de abril, o presidente é aprovado por 73% da população).

Nos últimos três meses, o Valor conversou com os principais personagens da crise do mensalão para investigar por que a oposição desistiu de levar adiante a proposta de impeachment, que passou a ter "prova material", segundo avaliação de integrantes do próprio governo, após o depoimento de Duda; como o presidente Lula atuou politicamente no seu pior momento; que fatos passaram ao largo das três CPIs; quem foram e como atuaram os "bombeiros" da crise.

Além da participação decisiva de ACM para o depoimento de Duda, novos fatos vieram à tona, como a proposta de renúncia ao cargo e à candidatura em 2006 feita a Lula por aliados; a tentativa de Delúbio Soares, então tesoureiro do PT, de beneficiar um banco estrangeiro em troca de auxílio financeiro ao partido; a peregrinação do empresário Marcos Valério, apontado pelas CPIs como o operador do mensalão, no Banco Central (BC), para tentar mudar a lei de liquidação bancária.

A apuração revela que o governo acreditou mais na possibilidade de impeachment do que a oposição. Mostra, ainda, como o governo Lula mudou de rumo após aquela crise, dando mais poder ao movimento sindical.

Durante a crise, um grupo de assessores e ministros, batizado de "Grupo das 8", referência ao horário em que eles se encontravam toda manhã, se reunia, numa sala contígua ao gabinete presidencial, para monitorar as CPIs e bolar estratégias de reação. O grupo era formado por Gilberto Carvalho (chefe de gabinete) e os então ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Márcio Thomaz Bastos (Justiça), Ciro Gomes (Integração Nacional), Tarso Genro (CDES), Jaques Wagner (Coordenação Política) e Antônio Palocci (Fazenda).

O impeachment bate à porta

O governo Lula balançou no dia 11 de agosto de 2005, quando Duda Mendonça deu seu depoimento à CPI. No dia seguinte, após longo e calculado período de alheamento, Lula e o governo passaram a tratar o impeachment como uma ameaça concreta.

A corte de Lula compreendera exatamente a gravidade das confissões feitas por Duda. Além dos participantes habituais do Grupo das 8, apareceram na Granja do Torto outros auxiliares da copa e cozinha de Lula, como Clara Ant (assessora especial e tomadora oficial de notas nas reuniões), Marco Aurélio Garcia (assessor internacional) e o sempre discreto ministro Luiz Dulci (secretário-geral da Presidência), o encarregado, no Palácio do Planalto, de manter a sintonia fina com os movimentos sociais.

Lula não mediu palavras: o depoimento de Duda fora "um desastre" e era "evidente" que o publicitário havia se acertado com a oposição. O presidente estava certo. Duda fora convencido pelo senador pefelista Antônio Carlos Magalhães (morto em 2007) a contar "toda a verdade" à CPI.

ACM afastara-se do governo após as eleições municipais de 2004. Lula e o oligarca baiano haviam se aproximado em 2002, nas eleições presidenciais, e selaram a união em convescote na casa de praia de Duda, em Salvador. No ano seguinte, José Dirceu, então ministro-chefe da Casa Civil, ajudara o senador a se desvencilhar da acusação de ter mandado "grampear" metade da Bahia. Dois anos depois, a disputa pela prefeitura de Salvador, um feudo carlista, novamente colocou ACM e Lula em rota de colisão.

Senador negociou com Duda

O publicitário, que costumava dizer que na Bahia nunca havia feito campanha contra o senador, tinha interesse em conversar com o deputado ACM Neto, um ponta de lança da oposição na CPI dos Correios. ACM colocou o neto na linha com Duda no dia 9 de agosto, uma terça-feira. A preocupação do publicitário, até aquele momento, era com o depoimento na CPI de sua sócia Zilmar da Silveira, agendado para o dia 11.

Na quarta-feira, dia 10, Duda deu outro telefonema a ACM Neto. Durante a conversa, deixou o deputado com a impressão de que poderia ir à CPI. Perguntou-lhe, por exemplo, se receberia um tratamento hostil.

Na madrugada do dia 11, Duda acordou ACM para informá-lo de que iria à comissão. Mais uma vez, pediu apenas que, pelo menos na Bahia, onde vive sua família, ele tivesse um "tratamento digno". Antes do telefonema, gastou horas definindo com dois renomados advogados paulistas - Antônio Cláudio Mariz de Oliveira e Pedro Dallari - a estratégia do depoimento.

Eram aproximadamente 5h30 da manhã de quinta-feira quando o telefone de ACM Neto tocou. Do outro lado da linha, seu avô deu a notícia: Duda estaria sentado ao lado de Zilmar no banco de testemunhas.

ACM Neto não perdeu tempo. Naquele dia chegou mais cedo à CPI, para articular o depoimento-surpresa de Duda com os membros mais destacados da comissão, como os deputados Eduardo Paes e Osmar Serraglio e a senadora Heloisa Helena. Conversou também com o presidente da CPI, senador Delcídio Amaral, e tratou de regimento com um especialista - o deputado Arnaldo Faria de Sá. O objetivo era evitar que os governistas da comissão contestassem o depoimento de Duda com base no regimento interno. Com isso, estavam criadas as condições para o publicitário depor.

A iniciativa de procurar ACM foi do publicitário, mas o senador aproveitou a chance para articular o pior momento do governo na CPI. Atormentado, Duda julgava-se o responsável "por tudo isso". A ACM Neto, nos bastidores da CPI, disse que queria falar "toda a verdade", pois só assim se sentiria "liberto". Revelou ainda que não queria ver Zilmar na CPI como "boi de piranha".

"Vocês não me conhecem"

O clima era de funeral no dia 12 de agosto de 2005, uma sexta-feira. Para os principais integrantes do Grupo das 8, a crise havia chegado ao gabinete do presidente da República. Agora não havia mais como Lula continuar a fazer de conta que a crise não era com ele, como fizera até então.

Poucos dias depois, ainda no calor provocado por Duda, ao fim das reuniões da manhã no Palácio do Planalto, Lula chamou um auxiliar direto à sua sala e disse: "Foram lá ontem à noite falar comigo", contou o presidente. Segundo Lula, para propor que ele renunciasse publicamente à campanha pela reeleição no ano seguinte. Esse gesto diminuiria o ímpeto da oposição em levar adiante um processo de impeachment.

"Esses caras são gozados. Eles não conhecem a minha ligação com o povo. Isso não vai acontecer! Vou ganhar a eleição desses filhos da mãe!", disse em seguida um Lula indignado. O assessor, atônito, dirigiu-se a alguns dos integrantes do Grupo das 8 e deu seu testemunho: "Não sei quem foi lá ontem, mas o cara não gostou da sugestão não".

Esta é uma das passagens mais nebulosas da história do mensalão. Dois dos três personagens que estiveram com Lula naquela noite desmentem categoricamente que tenham proposto ao presidente a renúncia à disputa eleitoral em 2006. Um deles admite, apenas, que Lula pode ter entendido dessa forma o tom da conversa. Agravando um clima que já parecia insuportável, um ministro levara ao conhecimento do presidente, naquele dia, uma pesquisa (um "tracking" telefônico) feita logo após o depoimento de Duda, mostrando nova queda na sua popularidade.

Numa primeira versão da história, contada com rigor de detalhes por um assessor de Lula logo após os acontecimentos, Dilma foi ao presidente, acompanhada de Palocci, para lhe dizer que, depois do que Duda contou ao Congresso, seu governo tinha chegado ao fim da linha e que o melhor a fazer naquele momento seria renunciar, não ao direito de se candidatar à reeleição, mas à própria Presidência. Ao gesto ousado de Dilma, Lula teria reagido com um riso contido e a frase: "Vocês não me conhecem".

Mais recentemente, uma nova versão do episódio, disseminada pelo próprio Lula entre assessores, fala apenas em renúncia à candidatura. A conversa teria ocorrido na Granja do Torto. O temor do impeachment era muito forte dentro do Grupo das 8, mas a iniciativa de verbalizá-lo ao chefe teria sido tomada por Palocci, Thomaz Bastos e Dilma sem consultar os outros integrantes do grupo.

Ao mesmo tempo em que reagia, irritado, à sugestão de desistência da candidatura, o próprio Lula alimentava essa possibilidade, possivelmente para testar seus aliados. É um velho hábito. Em 1998, quando julgava que tinha poucas chances de derrotar Fernando Henrique Cardoso nas urnas, Lula aventou a ideia de fazer prévias para a escolha do candidato do PT. Imediatamente, três postulantes se apresentaram, entusiasmados: Tarso Genro, Eduardo Suplicy e Cristovam Buarque. A partir dali, Lula ficou sabendo quem eram os interessados em disputar sua hegemonia no partido.

O flerte com Palocci e Ciro

No pior momento da crise, o presidente deu uma missão a Gilberto Carvalho: convocar Palocci para uma conversa urgente, na Granja do Torto. Antes, orientou o chefe de gabinete a estimular o ministro a lançar sua candidatura à Presidência em 2006. "Se prepara! Você vai ser o candidato. Eu não quero ser candidato", disse Lula a um incrédulo Palocci. "Só vou ser candidato se a gente não conseguir reverter essa crise porque, aí, eu vou pro pau com esses caras", acrescentou o presidente.

O então ministro da Fazenda reagiu negativamente. "Não tem hipótese de o senhor não ser candidato. No dia em que anunciar que não é candidato, aí o nosso buraco aumenta", argumentou Palocci. O raciocínio era que a renúncia à candidatura em 2006 enfraqueceria ainda mais o presidente. Lula decidiu, então, lançar outra carta.

"Se você não for candidato, vou chamar o Ciro, mas eu acho que tem que ser você", disse Lula. "Presidente, se o senhor achar que é isso, procure o Ciro, mas eu acho que é errado", insistiu Palocci. Carvalho ajudou a reforçar o suposto plano de Lula. "Estão surgindo os dois nomes, mas nós preferimos você", disse ele a Palocci, que, uma vez mais, rejeitou a sedução.

Numa viagem oficial a países africanos, pouco depois, Lula levou o então ministro Ciro Gomes na comitiva. O objetivo não foi outro senão fustigar a vontade de Ciro de ser presidente. Nos meses seguintes, à medida que foi se recuperando da crise, não tocou mais no assunto. "Ele queria que eu fosse o candidato no lugar dele", contou Ciro a amigos, dias mais tarde.

A oposição ficou fora desse jogo. Não propôs, em nenhum momento, um acordo com Lula em torno da eleição de 2006. O único a defender publicamente a ideia da não reeleição foi Fernando Henrique. Ele achava que, se Lula declarasse naquele momento que não seria candidato, voltaria a ter "respeitabilidade" e, eventualmente, até poderia se candidatar. Lula reagiu enfurecido à sugestão. "Se eles estão pensando que vão me tirar daqui no tapetão, nem pensar! Vou pra rua", afirmou ele numa reunião.

Preocupados com o andamento da crise, que, depois de Duda, chegara às cercanias do Palácio do Planalto, três figuras eminentes da República - um deputado do PT, um ministro do Supremo Tribunal Federal e um funcionário público do alto escalão - decidiriam procurar, separadamente, Thomaz Bastos.

Um dos três sugeriu que o presidente mandasse uma proposta ao Congresso, instituindo o mandato de cinco anos e eliminando a possibilidade de reeleição. Um outro propôs que Lula fizesse um pronunciamento à nação, no qual diria que estava abrindo mão da candidatura à reeleição. O terceiro foi pelo mesmo caminho. Os três tinham em comum a avaliação de que Lula só pacificaria o país, naquele momento, se desistisse de se candidatar no ano seguinte.

Lula contra-ataca

O depoimento de Duda foi uma enorme surpresa para Lula e seus principais auxiliares. Mas, ao contrário do que o presidente deixava transparecer em público, havia muito que o Palácio do Planalto se preparava para o pior. Além do Grupo das 8, armou-se também no Congresso um "bunker" para monitorar permanentemente o trabalho das três CPIs (a dos Correios, a do mensalão e a dos Bingos, também conhecida como "CPI do Fim do Mundo" por tratar de vários temas, entre eles, o assassinato do prefeito petista Celso Daniel). Emissários de Lula mantinham abertos, ainda, os canais com a oposição.

Lula não tinha ilusões: a oposição "mexeria com o impeachment", como afirmou no dia seguinte ao depoimento, em reunião na Granja Torto. Alguns auxiliares temiam que ele se deixasse abater, mas o presidente não demonstrou a menor disposição de cair sem briga. Dizia que o PT, um partido com base social, não era o PRN, a legenda de aluguel usada por Fernando Collor de Mello para se eleger em 1989. "Nós vamos pra rua defender o mandato que o povo nos deu", disse.

O presidente em pessoa conversou com José Lopes Feijó, dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), para armar manifestações de rua em defesa do governo.

Essa era a faceta beligerante da reação. A outra, de entendimento com a oposição, particularmente com FHC, prosperava por meio de conversas dos ministros Márcio Thomaz Bastos, que teve um papel destacado nessa costura, e Antônio Palocci e do deputado Aldo Rebelo, do PC do B, que atuou tanto como ministro da articulação política quanto na condição de presidente da Câmara, cargo que ocupou a partir do fim de setembro de 2005. Foram conversas decisivas para conter o ímpeto belicista da oposição, mas não tiveram consequência para uma aproximação entre PT e PSDB após a crise.

Na verdade, a oposição sempre teve dúvidas sobre a conveniência de propor o impeachment do presidente. Seria o segundo em pouco mais de dez anos - Collor foi impedido em 1992. Os oposicionistas temiam a pecha de golpistas. Avaliaram, também, que não tinham rua nem votos e, por isso, não revelavam a mesma disposição para o impeachment que Lula demonstrava ter para se manter no cargo que perseguira durante 13 anos.

Havia no Palácio do Planalto a percepção de que FHC tinha ascendência sobre o PSDB. E de fato era do ex-presidente o discurso mais bem articulado das oposições, moderado diante do que efetivamente achava da situação.

O que no Planalto se achava ser o elemento que a oposição precisava para propor o impeachment, para FHC o depoimento de Duda fora muito além: o publicitário dera a prova material para a Justiça anular a eleição de 2002 e empossar José Serra, o segundo colocado na disputa. Algo como o Tribunal Superior Eleitoral fez recentemente ao anular a eleição de Jackson Lago para o governo do Maranhão e mandar empossar Roseana Sarney, a segunda colocada. Apesar disso, o ex-presidente também estava convencido de que Lula reagiria ao impeachment com o discurso de classe - "o primeiro trabalhador a chegar à Presidência da República ia ser degolado pela elite" - e de que isso poderia dividir o país.

"Eles estão na lona!"

A conversa de FHC com Thomaz Bastos foi um embate entre dois mestres na arte da boa política. O ministro era a pessoa certa para a incursão exploratória de Lula. O advogado ajudara em campanhas eleitorais de FHC, mas, embora não fossem muito próximos, os pais deles - José Diogo Bastos e Leônidas Cardoso, ambos deputados nos anos 1950 - foram amigos. Thomaz Bastos confidenciou ao ex-presidente que informara Lula sobre aquele encontro, mas em nenhum momento disse que o presidente lhe pedira para procurá-lo.

A constatação de FHC foi rápida: "Eles [Lula, o PT e o governo] estão na lona".

Thomaz Bastos perscrutou como FHC estava vendo "as coisas". Uma conversa de "cerca-Lourenço", como contaria depois o ex-presidente aos tucanos. Na prática, o que Thomaz Bastos queria saber era se a oposição iria para o impeachment. FHC entendeu o recado e disse: "O impeachment é um ato político, o jurídico é outra coisa. Você vai para o tribunal. O ato político você tem que ter força para ganhar, não é ter a razão".

FHC contou para Thomaz Bastos o dilema que rondava a oposição: a CPI dos Correios reunira elementos até para a Justiça anular a eleição. Este era o aspecto legal. Politicamente, a situação era outra: a oposição não tinha força para votar o impeachment. E se tentasse, especulava FHC, dividiria o país. "E eu tenho horror [da divisão] porque vi isso muitas vezes - do Chile de Salvador Allende à Venezuela de Hugo Chávez", disse ao ministro

A conversa se estendeu por quase três horas. Já na rua, Thomaz Bastos se deu conta de que FHC não assumira nenhum compromisso contra o impeachment. Também constatou a veracidade da fama de pão-duro que carrega o ex-presidente: num dado momento, percebendo que seu marido nada oferecera à visita, Dona Ruth serviu café e água e deixou os dois conversando madrugada adentro.

"Rua não tem regimento interno"

"Nós não queremos fazer o impeachment do presidente. Para nós, basta o impeachment moral do Lula, para ele chegar às eleições sem condições de concorrer", disse Fernando Henrique a outro representante do governo, Aldo Rebelo. Na ocasião, Aldo pensou: "É do jogo".

O PSDB queria tirar Lula do poder na eleição e não por meio do impeachment, processo que, àquela altura, o governo denunciava como sendo "golpe da oposição". Ao se despedir do ex-presidente, no entanto, Rebelo achou prudente fazer uma advertência: "Rua não tem regimento interno". Uma frase que só confirmou os piores temores de FHC sobre o risco de divisão do país embutido na empreitada do impeachment.

Já Palocci procurou FHC para manifestar preocupação com o que chamou de "repercussões sistêmicas" da CPI dos Bingos. "Olha, Palocci, não estou no dia a dia do Senado, do PSDB, não estou no telefone dando ordens. O pessoal pensa que eu faço isso. Não. Eu não sei como é que o PSDB vai se comportar. Não há interesse em botar fogo no mercado", respondeu FHC.

O ex-presidente não se comprometeu com os emissários governistas, mas atuou para manter a oposição com os pés no chão. "O problema é o seguinte: temos força?" [para o impeachment], perguntou a Arthur Virgílio, líder tucano no Senado, e a Tasso Jereissati, então presidente do PSDB. Em seguida, contou a história de Josef Stalin, quando o líder comunista russo foi confrontado com o poder da Igreja Católica na reunião dos líderes aliados, no pós-guerra: "Quantas divisões tem o papa?"

A oposição ameaçava, foram apresentadas 30 proposições de impeachment, mas o fato é que os oposicionistas não tinham votos para derrubar Lula. Esteve próxima de tê-los, como se pode depreender da eleição de Aldo Rebelo para a presidência da Câmara, após a queda de Severino Cavalcanti no chamado escândalo do mensalinho, que por quase um mês desviou as atenções e ajudou a esfriar o debate do impeachment.

A presidência da Câmara era uma posição estratégica: cabe a ela dar início ou mandar arquivar todos os pedidos de abertura de processo de impeachment. Severino era um aliado do Planalto. E o PFL teve atuação também decisiva na investigação que levou à denúncia de que Severino recebia propina de um concessionário de serviços da Câmara.

A eleição para a substituição de Severino foi duríssima. No primeiro turno, houve empate em 182 votos entre Aldo e o candidato do PFL, José Thomaz Nonô. No segundo, o governo ganhou por 258 a 243. A eleição de um pefelista, naquele momento, poderia ter mudado o curso da história.

Deixa sangrar

Sem votos no Congresso e sem apoio nas ruas, a oposição se consumia também em dúvidas. Na avaliação de PSDB e PFL, o PT cometera um erro de cálculo político em 1992, ao apostar todas as fichas no impeachment de Fernando Collor - se tivesse mantido o ex-presidente no cargo, mas enfraquecido, provavelmente Lula seria o presidente da República já nas eleições de 1994.

Consumado o impeachment de Collor, o vice-presidente Itamar Franco assumiu e fez um governo de coalizão, do qual só o PT não participou. Após os meses iniciais de hesitação, quando teve quatro ministros da Fazenda, o novo governo decretou o Plano Real, fundamental para FHC derrotar Lula no primeiro turno da eleição de 1994.

Empunhando a bandeira "institucional" durante o mensalão, FHC foi chave nas negociações para evitar o impeachment de Lula. Mas ele não esteve sozinho. Parte de PSDB e do PFL seguia a mesma bússola: a oposição não deveria tomar a iniciativa do impeachment, mas, por outro lado, deixaria correr as investigações nas CPIs. Era a tese do sangramento de Lula.

Àquela altura, faltava pouco mais de um ano para as eleições de 2006. Com maior ou menor grau de blindagem do presidente, o sangramento foi a linha dominante na oposição, do senador Tasso Jereissati ao pefelista Jorge Bornhausen. E também a trilha seguida pelos ex-governadores de São Paulo e Minas Gerais - respectivamente, José Serra e Aécio Neves.

O enterro do impeachment ocorreu numa reunião burocrática de líderes da oposição na segunda-feira seguinte ao depoimento de Duda. Os partidos avaliaram que havia elemento material para o enquadramento jurídico de Lula, mas faltavam votos no plenário e apoio das ruas. Simples assim. "Não há clima político para o impedimento e o pedido, se houver, tem de vir da sociedade", declarou, depois da reunião, o senador Arthur Virgílio.

Apenas um representante do tucanato - Luiz Carlos Bresser-Pereira, ex-ministro de FHC - foi a público, em artigo na "Folha de S.Paulo", defender abertamente o impeachment de Lula. "Estamos ante a maior crise moral da história brasileira", escreveu Bresser-Pereira. Ironicamente, em 2007, no segundo mandato de Lula, ele foi nomeado para integrar o "conselho de orientação" de um órgão do governo - o Ipea.

Cadáveres insepultos

A crise do mensalão já corria solta quando Lula decidiu enviar um emissário para conversar com Delúbio Soares, tesoureiro do PT. Ele queria entender o tamanho do enredo em que o partido se metera. "Gilbertinho, vai a São Paulo e conversa com o Delúbio. Eu quero saber que encrenca é essa", ordenou Lula ao chefe de gabinete.

Numa sala do diretório nacional do PT em São Paulo, Delúbio explicou que o partido fez muitas despesas na campanha eleitoral de 2002. Com uma franqueza que assustou o interlocutor, disse que esperava a ajuda do governo em "algumas operações" e que esse auxílio nunca veio. Diante disso, foi obrigado a buscar outras fontes de financiamento, o que acabou levando-o a conhecer o empresário Marcos Valério.

Uma dessas operações, só agora revelada, chegou ao Palácio do Planalto, mas foi abortada pelo ministro Palocci e pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. O plano era levantar a liquidação bancária do Banco Econômico, que sofreu intervenção do BC em 1995. Os beneficiários do negócio seriam o antigo controlador do Econômico - Ângelo Calmon de Sá - e o banco português Espírito Santo.

A contrapartida da operação seria a concessão de um auxílio financeiro do Espírito Santo ao PT. "Presidente, isso aí é cadeia! Não vamos fazer um negócio desse de jeito nenhum", disse um ministro durante reunião para tratar do assunto. Sem pestanejar, Lula mandou encerrar o assunto ali mesmo. Antes de chegar à cúpula, no entanto, o tema, que não dizia respeito apenas ao espólio do Banco Econômico, mas também ao de outros bancos sob intervenção do BC, correu meses dentro do governo.

Os bancos liquidados na primeira fase do Plano Real, quando a queda abrupta da inflação subtraiu grande parte das receitas que eles apuravam com a perda diária de valor da moeda nacional, tornaram-se cadáveres insepultos. As intervenções começavam, mas nunca terminavam. Os ex-controladores dos bancos sempre alegaram que, concluída a liquidação, eles teriam dinheiro a receber do BC. Este, por sua vez, sustenta que isso é fantasia, uma vez que a União injetou bilhões de reais nas instituições para honrar compromissos com os correntistas e cobrir outros buracos.

No início do governo Lula, banqueiros cassados pelo BC fizeram intenso lobby em Brasília para amolecer o coração da autoridade bancária. Em 2004, conseguiram, por exemplo, que a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado criasse uma subcomissão para tratar exclusivamente das intervenções. Durante os debates, acusou-se o Banco Central de abuso de poder. Depois, tentou-se limitar legalmente o prazo do processo de liquidação, mas a proposta nunca foi adiante.

Em outra frente, Marcos Valério, apontado pela CPI dos Correios como o operador do mensalão, começou a circular com grande desembaraço dentro do governo, representando os interesses do Banco Rural, que, como revelou a comissão, fez empréstimos para salvar o PT da bancarrota. Detentor de 22% do capital do Banco Mercantil de Pernambuco, também liquidado em 1995, o Rural queria uma solução rápida para a intervenção, de forma que, ao fim da operação, pudesse assumir o espólio do banco.

As visitas de Valério ao BC

Valério não economizou visitas à sede do Banco Central, em Brasília. Esteve lá 14 vezes, segundo registros da instituição. Na primeira ocasião, foi informado das restrições legais para o levantamento de liquidação bancária nos moldes exigidos pelos ex-banqueiros. Não satisfeito, contratou um advogado para instruí-lo na elaboração de um projeto que alterasse a lei que rege as intervenções do BC.

O empresário dizia, nos gabinetes de Brasília, que atuava com o conhecimento do então ministro José Dirceu. De fato, ele tinha trânsito livre. No início de 2005, por exemplo, levou o presidente do Banco Espírito Santo, Ricardo Espírito Santo, para uma audiência na Casa Civil com Dirceu. Os laços foram estreitados. Em fevereiro deste ano, por exemplo, o executivo depôs, na Justiça Federal em São Paulo, como testemunha de defesa do ex-ministro no inquérito do mensalão.

Nas andanças pela capital federal, Valério esbarrou num funcionário de carreira do BC - Gustavo Matos do Vale, diretor de Liquidações e Controle de Operações do Crédito Rural. Num dos encontros com Vale, Valério levou-lhe uma proposta de medida provisória que alterava a legislação de liquidação bancária.

Educadamente, o diretor do BC explicou-lhe que, como haveria impacto na Lei de Responsabilidade Fiscal, qualquer mudança teria que ser feita por meio de um projeto de lei complementar. Valério reagiu de forma colérica às ponderações de Vale. Achou que o diretor do BC estava caçoando dele. Afinal, os dois já tinham conversado várias vezes sobre o tema. Funcionário público há 26 anos, Matos do Vale sabia, desde a primeira visita de Valério, que, para seu próprio bem, não deveria levar a sério a prosa do interlocutor.

Nem todo mundo pensava assim em Brasília. A pressão para levantar a liquidação de bancos falidos era tão forte que Henrique Meirelles decidiu fazer uma proposta insólita ao ministro Palocci - a mudança do BC para a Fazenda da diretoria que cuida desse assunto. Palocci argumentou que, se Meirelles estava se sentindo coagido e se isso estava lhe causando um problema de "sustentabilidade", ele poderia analisar a mudança, embora não a considerasse necessária. O ministro temia que a transferência aumentasse ainda mais o interesse da classe política pelo tema.

Meirelles estava reticente. Quando começou a dizer "não" aos pedidos de suspensão das intervenções bancárias, um jornalista o procurou. "Olha, dr. Meirelles, vem aí onda de denúncias contra o senhor", disse o interlocutor. Meirelles quis saber o porquê e ouviu que era por causa dos bancos. Nos dias seguintes, apareceram na imprensa as primeiras denúncias.

O próprio Palocci foi alvo de pressões. Certa vez, estiveram em seu gabinete representantes de três gerações da família Monteiro, principal acionista do Banco Mercantil de Pernambuco. Entre eles, Armando Monteiro Filho, ex-ministro do governo João Goulart e amigo de longa data do presidente Lula, e Armando Monteiro Neto, deputado do PTB e presidente da Confederação Nacional da Indústria. Na ocasião, Palocci foi a Lula para explicar o que estava acontecendo. "Não quero nem ver", desconversou o presidente.

Da conversa com os Monteiro, ficou na memória de uma testemunha a palavra usada pelo deputado durante argumentação em defesa do fim da intervenção no Mercantil de Pernambuco: "anatocismo" (a capitalização de juros acumulados por não terem sido liquidados no vencimento). Apesar da pressão, "a família Monteiro foi institucional", assegurou Palocci em relato feito ao presidente Lula na ocasião.

Por meio de sua assessoria, o Banco Espírito Santo confirma que, "em 2001 ou 2002", foi procurado por Calmon de Sá. O ex-banqueiro, segundo a assessoria, queria que o banco português intermediasse, no mercado, a venda de títulos do Econômico. Ocorre que os títulos jamais foram liberados pelo BC. Afinal, o banco estava sob intervenção. Daí o suposto interesse no fim da liquidação. O banco português nega ter cogitado dar auxílio financeiro ao PT, informação confirmada por mais de um personagem ouvido pelo Valor.

Quando Lula chorou

Durante toda a crise do mensalão, apenas um fato levou o presidente Lula às lágrimas: a entrada, no governo, de dois antigos companheiros do movimento sindical - Luiz Marinho, então presidente da Central Única dos Trabalhadores, que assumiu o Ministério do Trabalho; e Paulo Vannuchi, que se tornou titular da Secretaria de Direitos Humanos. Os dois embarcaram no pior momento de Lula. O primeiro, em julho de 2005; o segundo, em dezembro daquele ano.

Marinho, que hoje é prefeito de São Bernardo do Campo (SP), era considerado pelo próprio Lula o seu sucessor no movimento sindical. O presidente trata-o por filho. Vannuchi tem fortes vínculos com o sindicalismo e a esquerda católica. A presença dos dois no governo ajudou Lula a se reaproximar da sua antiga base social, que, em meados de 2005, andava um tanto decepcionada com os rumos de sua gestão, especialmente na área econômica, a mais bem-sucedida.

Durante conversa com Thomaz Bastos, Lula chorou ao lembrar que Marinho e Vannuchi encararam o desafio de entrar para o governo naquela situação. Sua popularidade estava no patamar mais baixo de toda sua trajetória na Presidência da República. O índice daqueles que consideravam seu governo "ruim" ou "péssimo" também era recorde - 29% em dezembro de 2005.

A inflexão de Lula foi calculada. Como achou que tinha perdido apoio das elites, que na sua visão estavam interessadas em apeá-lo do poder, o presidente concluiu que chegara a hora de fazer acenos em direção a antigos apoiadores. Ao colocar Marinho no Trabalho, iniciou um processo de forte recuperação do salário mínimo, até então evitado por causa dos impactos negativos nas contas da previdência social.

No segundo mandato, Lula aprofundou a inflexão, passando a conceder aumentos salariais generosos ao funcionalismo público, categoria com a qual havia rompido parcialmente em 2003 ao propor a reforma da previdência. No pós-mensalão, o presidente manteve o tripé da política econômica herdado de FHC - superávit primário, metas para inflação e câmbio flutuante -, mas desistiu de regulamentar aquela reforma e também de propor novas mudanças constitucionais. Trouxe, finalmente, o PMDB para o governo e montou no Congresso uma espécie de frente anti-impeachment, composta de 14 partidos, da esquerda à direita.

Na nova fase do governo, Lula deu força à ideia de uma "República Sindicalista". De alguma maneira, fez o que se dizia que o presidente João Goulart (1961-1964) quisera implantar 40 anos antes e que provocou a sua queda. Os sindicalistas passaram a se sobrepor no PT e no governo, em detrimento dos outros grupos fundadores do partido - a esquerda católica, os ex-guerrilheiros e os intelectuais.

"Põe no cofre, Gilberto"

Além do Grupo das 8, durante a crise foi montado um "bunker" na liderança do PT na Câmara, no qual o deputado e advogado Luiz Eduardo Greenhalgh monitorava os depoimentos nas CPIs, ao mesmo tempo em que enchia caixas e mais caixas com denúncias contra os adversários de Lula.

Os parlamentares do "bunker" registraram que havia algo de errado na movimentação de Duda, mas foi tranquilizado pelo Grupo das 8 - que também participava das reuniões dos congressistas - sobre a lealdade do publicitário.

No domingo anterior ao depoimento de Duda, houve uma reunião no apartamento de Greenhalgh para acertar a agenda de trabalho da semana nas CPIs. "Gente, eu estou preocupado. Quem é que está controlando o Duda?", perguntou o deputado. José Dirceu tomou a iniciativa de responder: "Pode ficar tranquilo. O Duda está sob controle". Ciro Gomes, que também estava presente, esgueirou-se até a beira do sofá: "Estou de acordo. O Duda está sob controle, tem mantido contato".

Estavam todos enganados. Duda não só foi à CPI, como deu à oposição o elo que havia entre a eleição do presidente e a contabilidade fraudulenta do PT. Durante toda a crise, Lula tentou separar uma coisa da outra. O próprio Grupo das 8 tem origem numa ordem do presidente para tentar desvincular inteiramente o governo do escândalo. "Não quero reunião na hora do expediente (a partir das 9h), não quero encontrar ninguém conversando sobre isso quando eu chegar ao palácio", advertira Lula.

No apartamento de Greenhalgh, a extensão da crise era medida pelo consumo de bebida e comida. Havia dias em que Jaques Wagner enxugava sozinho uma garrafa de uísque. Bebia também rum e vinho, mas sempre manteve a compostura e a língua afiada. O nacionalista Aldo Rebelo preferia cachaça.

Lula recebeu de Greenhalgh, advogado das causas mais importantes do PT, a famosa "lista de Furnas", matriz do processo que mais tarde levaria o carimbo de "mensalão do PSDB". O PT, enfim, fazia prevalecer a tese segundo a qual eram "todos iguais". O presidente conferiu cada nome da lista, de cima até embaixo. Em seguida chamou Gilberto Carvalho e ordenou: "Põe no cofre, Gilberto. Põe no cofre".
Autor(es): Cristiano Romero e Raymundo Costa, de Brasília
Valor Econômico - 21/05/2010 
 

sábado, 10 de setembro de 2011

11 de setembro de 1973- Chile

   Em época de turbulências no Chile, é bom lembrar de um outro 11 de setembro, o do ano de 1973, dia em que um golpe militar retirou do poder o Presidente Allende, com apoio dos defensores da "democracia" , os Estados Unidos da América, segue um vídeo que conta um pouco dessa história.

                                   Um outro 11 de setembro, que não pode ser esquecido


                                      
                                                   

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Esse "ativismo fashion"...

   Dia 7 de setembro, é dia de desfile cívico e também de protestos, faz um bom tempo que é assim, tem-se há vários anos o "Grito dos excluídos" , e ontem  não foi diferente, a única mudança foi que a mídia preferiu cobrir única e exclusivamente a "marcha contra a corrupção", nada a respeito do protesto que foi organizado pelos movimentos sociais, com uma pauta clara e expondo a desigualdade que ainda persiste no país. 
   A tal da marcha, foi feita na Paulista, e calcula-se que 800 pessoas participaram dela, sou favorável as mobilizações independente de qual coloração tenham, se tem viés partidário ou não, aliás creio que deva ficar claro qual a  intenção e os interesses por traz de qualquer manifestação, não vejo problemas em partidos, sindicatos, movimentos sociais e sobretudo pessoas de todas  as classes participarem, oxalá isso acontecesse sempre, que as pessoas fossem politizadas, se interessassem realmente pelos problemas do país, e rompessem com a normose que assola o país. 
  É preciso reverter essa concepção de ver as  questões políticas como sinônimo de pilantragem, as pessoas precisam se envolver mais, cobrar os seus representantes, com internet isso é muito fácil, basta mandar "email" para os deputados ,  quando cada parlamentar  verificar que suas caixas postais eletrônicas estão abarrotadas de emails, de pessoas cobrando,  quando mostrarmos para a classe política que estamos acompanhando par e passo o que acontece na Câmara dos Deputados, talvez as coisas melhorem. 
   Em relação a tal marcha contra  corrupção, é mais um daqueles protesto que eu credito ao que chamo de "ativismo fashion", as pessoas estão lá, mas não sabem por quê, alguns estavam passando e resolveram aderir, outros viram a chamada nas redes sociais, tá na moda participar desse tipo de movimento;  na Europa , no Norte da África, já derrubaram até regimes, então vamos imitar, precisamos ser "descolados", "antenados", seguir a tendência...
  Mas o que pensam , sobre financiamento de campanha? Sobre Reforma Política? Em quem votaram na última eleição? Será que acompanham o cotidiano do parlamentar que ajudou a eleger?
  Por outro lado, você que está lendo esse texto deve estar pensando, mas a corrupção tá demais! É preciso fazer alguma coisa, nunca se viu tanta bandalheira; mas não é por que antes a imprensa não noticiava que a corrupção não existia; em São Paulo temos vários casos de escândalos tanto em nível Municipal,  quanto Estadual, na Assembléia Legislativa, chegam a mais de 80 as CPIs barradas pela base aliada dos tucanos e ninguém se indigna com isso. 
  A corrupção não é exclusividade do Governo Federal, nem tão pouco do Brasil, existe em todo o mundo, em todos os países, vejo muita gente reclamando, falando que político é tudo safado, que nenhum presta, mas tente você ser candidato e peça ajuda a esses mesmos que difamam a classe política, a primeira coisa que ele te diz é: "Tá bom, eu te ajudo, mas o que eu vou ganhar? Você me arruma uma "boquinha""?
  Ninguém nasce parlamentar, são todos eleitos pelos mesmos que ontem estavam protestando (com todo o direito de fazê-lo), mas que em ano eleitoral, confundem o pleito com o paredão do " Big Brother" e votam em qualquer um, ou ainda,  anulam o voto achando que tão dificultando a vida dos políticos desonestos, e tem os que votam nos candidatos escrachados, do tipo:" pior que tá não fica", é o tal voto de protesto!
  O resultado de toda essa despolitização do povo brasileiro, é que os ricos cada vez estão mais ricos,e para não ficar muito escandaloso, dá-se  algumas migalhas pro povão e  espalha-se aos quatro ventos que o número de pessoas da classe média aumentou, que agora todo mundo pode se  endividar tranquilamente nas grandes lojas do ramo e tem-se a falsa impressão de que houve ascenção social.
  Me despeço com dois vídeos, um que fala do "Analfabeto Político " de Brecht  e outro, esse de intenção didática, no qual se explica o que é distribuição de renda.

                                                          O Analfabeto Político




                                                            Distribuição de renda


                                              

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Eu apóio o MST

   Semana  passada o coletivo "Intervozes", publicou pesquisa  na qual constata-se que a mídia trata o MST sempre de forma pejorativa, o lançamento oficial do relatório, acontece hoje dia 24/08/2011, em Brasília, para quem conhece o comportamento da  nossa mídia venal, não é nenhuma novidade. 
   Nesta segunda-feira (22/08), o MST  ocupou novamente  terras griladas pela Cutrale, como aconteceu em 2009, na época a única coisa que a mídia achou relevante nessa  história, foi um trator destruindo pés de laranja  para que fosse plantado arroz e  feijão para os integrantes do movimento.
  Mas o que nunca se fala é que as terras utilizadas pela Cutrale,  são da União,  são terras públicas e  foram invadidas há muitos anos pela empresa, eles sim são os verdadeiros invasores. 
  Por que uma  família pode invadir terras públicas, plantar  laranja, extrair o suco,  exportar e  remeter parte dos seus lucros pra paraísos fiscais e milhares de famílias não podem plantar para seu sustento e  fornecer alimento mais barato pra população ou mesmo para merenda escolar? 
  O caso da fazenda no município de Iaras é apenas  mais entre tantos, existem os "amigos" do Quércia que invadiram terras da CESP  no Pontal do Paranapanema, mas a mídia só trata das "invasões"  dos "sem-terra". 
 Quem não se lembra da invasão e destruição das mudas de eucalipto no laboratório da Aracruz  ,  que as mulheres da Via Campesina fizeram?  E quem sabe o que representa a  cultura do eucalipto para o meio ambiente? Quem sabe que a Aracruz é uma transnacional que já foi condenada internacionalmente pela degradação ambiental? Que destruiu parte da mata atlântica,  que invadiu território indígena no Espírito Santo, expulsando os moradores e  responde na justiça por isso. 
 Ao contrário do que diz o "imprensalão", o MST  só ocupa terras que estão destinadas para a reforma agrária  e que por morosidade do Governo  não são distribuídas aos trabalhadores do campo, seja por incompetência ou pra proteger os interesses daqueles que financiam as campanhas eleitorais (a Cutrale financiou a campanha de 45 deputados paulistas). 
 Falando em eleição, na época da campanha é  comum vermos os candidatos do agronegócio atacando o MST, já foram instaladas  3 CPIs e nada foi comprovado, o sr Geraldo "Opus Dei" Alckmin, vivia dizendo na TV que o Governo Federal deu em 8 anos, 260 milhões de reais para que os "sem-terras"  invadissem propriedades privadas, mas nunca falou que o mesmo Governo (do Lula) destinou 25 vezes mais   recursos para o agronegócio, pra turma da CNA (Confederação Nacional do Agronegócio), que é presidida pela senadora Kátia Abreu, que disse em bom e alto som que pobre tem que comer comida com agrotóxico mesmo!     Quando a mídia vai falar que o brasileiro consome em média 5kg de agrotóxico por ano?  
 Por que a mídia criminaliza um movimento que recebe apoio de diversas personalidades, nacionais e internacionais? No ano passado o grupo "Rage Against the Machine", dedicou uma música em  seu show aos irmãos e irmãs do MST, em encontro com líderes do movimento o vocalista anunciou a doação de parte da arrecadação do show  ao grupo; coincidentemente na hora em que o guitarrista do RATM colocou o boné do MST a rede Globo (nenhuma novidade também) cortou a transmissão do show; por fim, no início deste mês a coalizão Comunidade Soberania Alimentar (Community Food Security Coalition-CFSC) escolheu o MST para receber o Terceiro Prêmio Anual de Soberania Alimentar, que será entregue  entre os dias 4 e 8 de novembro em Oakland, Califónia , EUA. 
  O Diretor Executivo da CFSC, Andrew Fisher, agradeceu ao MST pelo esforço de garantir a soberania alimentar brasileira e do mundo, em texto ele disse: “o MST foi escolhido para receber o prêmio devido ao excelente trabalho, promovendo soberania alimentar através da conscientização da população, ações em nível local, desenvolvendo e implementando programas e políticas; reconhecendo a importância de ações coletivas para que ocorram mudanças sociais; reconhecendo as conexões globais no trabalho de soberania alimentar e demonstrando claro reconhecimento da importância de mulheres nas questões de agricultura e alimentação”.
  Enquanto a mídia se ocupa de satanizar os movimentos sociais, parte de nossas terras estão sendo adquiridas por corporações internacionais, a reforma do Código Florestal segue a todo vapor no Senado e o agronegócio continua servindo alimento envenenado para população brasileira e recebendo verba do Governo Federal pra isso...
  
 Segue abaixo alguns links interessantes:

 Senadora Katia Abreu , sobre o consumo de veneno pela população pobre:


  
   Vocalista do RATM  declarando seu apoio  ao MST

      

   Página do MST: www.mst.org.br

  Documentário de Silvio Tendler, " O veneno está na mesa"


  

  

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

E o corruptor?

   Incrível  como a história se repete com os mesmos personagens de antes e tudo fica na mesma, a população reclama, faz beicinho, mas a manifestação fica por aí, dona Dilma vem atuando com coragem( faz de conta que é asssim..) e colocando pra correr aqueles que sempre mamaram nas tetas do Governo, não deveriam ter voltado, mas  foram impostos  por conta das alianças espúrias que precisou fazer, para tornar-se Presidenta.  A corrupção não é algo novo no nosso país, já começou na época da colonização e de lá pra cá  já  houve todo tipo de saque as  nossas riquezas, mas como já disse em outro post,  corrupção não é um processo unilateral, existe o  corrupto e o corruptor, este último tem mil faces  e milhões em dinheiro pra financiar campanhas eleitorais, e o país pode pegar fogo, podem prender todos os ministros, deputados, secretários e demais "aspones",  que o corruptor  nunca será importunado, no máximo irá prestar depoimento numa CPI, com perguntas amenas  feitas geralmente por quem ganhou as eleições as custas das suas doações.  Acabar com a corrupção é algo impossível, tem  em todo lugar, o que se deve fazer é combater a causa e não o efeito,  entendo que uma das raízes desse  processo é o  financiamento de campanha  eleitoral, ninguém faz doação pra político por questões  ideológicas, por acreditar  no jogo democrático,  quem dá milhões pra campanha de  determinado candidato  estará  esperando o retorno deste  "investimento", são inúmeros os casos de  grandes corporações que custearam a campanha de bancadas  inteiras de deputados, existe a  bancada dos planos de saúde, da construção civil, do agronegócio, das escolas particulares, dos bancos e por aí vai...Chega dar  ânsia, quando vejo alguns jornalistas posando de indignados  com toda a corrupção que estamos vendo, a população não viu antes  por que boa parte da imprensa  também recebe  uma boa grana, via publicidade, dos mesmos corruptores que bancam a campanha eleitoral dos políticos corruptos. Há  pouco tempo atrás, um acidente de helicoptero, acabou por revelar um dos bastidores desse processo todo, a tragédia ocorrida com parentes e amigos do governador Sérgio Cabral, trouxe a tona relações entre o Cabral, a construtora Delta e também o senhor Eike Batista, este último alegou que empresta o seu jatinho para quem bem entender, pois é pago com seu dinheiro e  ele não vive as custas do dinheiro  público ou coisa que o valha, tá...tá bom! O deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) fez um levantamento das relações entre o governo do Rio de Janeiro e o senhor Eike, e descobriu que nos últimos 4 anos o  governo fluminense deu "incentivos fiscais"  na ordem de 75 milhões ao afortunado empresário ( um homem que aumentou seu patrimônio de  8 bilhões para 30 bilhões, em um ano, diante disso, o Palocci tem que ser julgado no "tribunal de pequenas causas"),  por uma estranha coincidência, o benemérito minerador doou pra campanha do senhor Cabral,  750 mil reais, ou seja,  1% do que ele ganhou de incentivos fiscais pra construir o super porto, obra que  está sendo questionada pelo Ministério Público Federal. E olha que nem estou falando dos leilões de exploração de petróleo, nas franjas do pré-sal, deu até pra comprar terno do Lula por 1 milhão de reais.  Ah, mas era por uma boa causa!! São vários exemplos como este país a fora, e eu digo a você caro leitor(a), cite-me o nome de 5 corruptores e diga o que aconteceu com eles.  Quando digo aos amigos que devemos ter financiamento público de campanha eleitoral, sou olhado como se tivesse xingado a mãe de todos eles, segundo me consta, a campanha de  2010, custou cerca de 3,3 bilhões de reais, faça as contas, sai muito mais barato, e os parlamentares não ficaram vinculados a nenhum segmento corporativo, basta olhar o  orçamento das obras da copa, seguramente já estão superfaturados em valores muito maiores que estes 3 bilhões. É claro que o financiamento de campanha, não é o único responsável por toda bandalheira que estamos vendo hoje e sempre, mas certamente é um componente de peso , boa parte dos casos de corrupção tem algo a ver com campanha eleitoral. Será que na reforma política, o financiamento público de campanha será aprovado? Será?

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Estado S/A

   Toda vez que a população faz sua escolha para os cargos majoritários (Prefeito, Governador e Presidente), ao escolher o seu candidato, leva em conta os aspectos éticos, propostas e sobretudo a capacidade administrativa,ou seja, aquele que se apresenta como o melhor gestor da coisa pública. 
   Pois bem, mas o que vemos quando os ditos bons gestores assumem o poder?  A partir da posse,  o discurso muda, os "gerentões" já começam a falar que o Estado sozinho pode fazer muito pouco, que a máquina tá  inchada, que os direitos (?) do funcionalismo e a burocracia são entraves para colocar  todas as propostas em andamento e por aí vai. 
   E aí, eis que surge a solução mágica, as famosas PPP, Parceria Público Privada, que idéia fantástica!           
   Funciona mais ou menos assim, empreiteiras (que fazem generosas doações de campanha) fazem a obra, o Estado banca uma parte (geralmente a maior parte) e depois um tal de consórcio com nome bem legal, administra , cobrando a prestação de serviço; vamos a um exemplo, a linha 4 do metrô, linha amarela, o Estado bancou 73% da obra e o consórcio via amarela 23%, e em contrapartida  a administração de todas as estações (passagens, locação de espaços, publicidade e etc) fica a cargo da mesma turma, que vai explorar o serviço por 30 anos e com garantias dadas pelo Estado. Uma beleza!
 Mas não pára só nessa modalidade, temos também  as  OSs,  Organizações Sociais, por vezes são chamadas de ONGs, Organizações Não-governamentais, pra essas, a coisa funciona assim:  um aparelho público (hospital, museu, creche, clube e afins) é  cedido para uma dessas instituições, elas contratam os funcionários, cuidam da manutenção, prestam serviço e o Estado paga por essa gestão.
  Nessa semana, levantamento feito pela  jornalista  Conceição Lemes, constatou que os hospitais geridos por OSs, acumulam um déficit de cerca de 147 milhões, e pelo que vemos nos meios de comunicação o atendimento em Saúde em nosso Estado está longe de ser um serviço de excelência. 
  A questão que se coloca é: como é que uma empresa privada, tem mais condições que o Estado para fazer obras e administrar aparelhos públicos(sem comprometer a qualidade), se ela tem mais encargos que a administração pública? Insistir nesses modelos,  reflete um paradoxo, se o Governante é competente ele não precisa entregar a coisa pública para a administração privada, ele deve fazer funcionar bem o que já está aí. É possível, ter uma administração pública eficiente e com boa qualidade de serviços prestados a população, basta vontade política, controle rigoroso das licitações, escolher bem quem vai administrar.
  Outra turma que tem relações muito boas com o aparato estatal é o pessoal das agências de propaganda e assessoria de imprensa, pra esses não falta dinheiro , e a coisa é escandalosa! A empresa "Lua Branca Propaganda LTDA", recebeu da Prefeitura de São Paulo, nos últimos 2 anos, cerca de 119 milhões; por uma  estranha coincidência um dos sócios desta empresa é  Luiz Gonzales, que é o "marqueteiro" do José Serra e também do Kassab. 
  Um outro exemplo, é a Fator F, uma empresa que tem como sócio Roger Ferreira, envolvido no escândalo de verbas de publicidade da Nossa Caixa , na gestão Alckmin (2002-2006), essa empresa foi fundada com capital inicial de  R$ 500,00  e conseguiu contratos com a Prefeitura de São Paulo, na ordem de 7 milhões nos dois últimos anos , realmente são pessoas afortunadas.
   Embora tenha citado apenas o Estado e o Município de São Paulo, essas são práticas comuns em vários Estados, Município e mesmo na União, o que pode-se perceber é que a coisa pública está a mercê de ações entre amigos, em que un$ amigo$  ajudam outros amigos a chegarem no Poder e depois recebem muito mais em troca, e quem banca toda essa "camaradagem"  é o contribuinte que fica meses na fila de hospitais, amassado em coletivos  e sofre com a má qualidade de vida proporcionada pelo Estado que está controlado pelas grandes corporações.



quarta-feira, 15 de junho de 2011

A dívida de SP

    Essa semana alguns blogueiros mostraram-se  indignados com o incentivo fiscal que o "benemérito" Prefeito de São Paulo concedeu, por conta da construção do estádio do corinthians, uma bagatela de 420 milhões. Muito justa a reclamação, também acho muito dinheiro, também acho que existem outras prioridades, mas por outro lado,  temos uma dívida pública coma União que consumiu em 2010, cerca de 2,8 bilhões dos cofres do contribuinte paulistano.  
    Boa parte dessa  dívida, mais de 90%, devia-se a  Títulos Públicos que estavam em poder de bancos e  foram adquiridos pelo  Governo Federal, que por sua vez pagou com títulos do tesouro federal, dessa  transação resultou uma dívida para a  Cidade de São Paulo, devendo ser paga em 30 anos, prorrogaveis por mais 10 anos,  com juros de  9% mais correção pelo IGP-M,  esse acordo foi celebrado em 2000, na gestão FHC, e o valor da  prestação é  equivalente a 13%  da arrecadação do município, sendo que quando a arrecadação for baixa e esse percentual for  inferior ao estipulado inicialmente, a diferença faltante comporá nova dívida.
    Muitos  Estados do país fizeram acordos semelhantes, com a diferença que para os  Estados o índice de correção  era de  6%, e também vinculado a um percentual da  arrecadação;  o Estado de São Paulo, desembolsou em 2010  cerca de 10 bilhões de reais, por conta dessa dívida,  boa parte dessa dívida municipal, foi contraída por emissão de títulos para pagamentos de precatórios e demais despesas , no entanto,  verificou-se mais tarde que o dinheiro auferido  sofreu um desvio de finalidade.  A Justiça condenou o ex-prefeito Celso Pitta por fraude nesse episódio dos precatórios,  desvios esses que aconteceram na gestão de  Paulo Maluf , do qual  Pitta  era Secretário de Finanças.  
    Pois bem,  acontece que a negociação feita pelo governo FHC,  tornou a dívida de São Paulo impagável, estudos da própria Prefeitura (veja link abaixo), mostram que a simples mudança no  índice de correção da dívida, geraria uma economia de mais de 19 bilhões, que certamente poderiam ser usados em  transporte público, educação, saúde, moradia e em políticas públicas para o bem estar da população.
    No meu entendimento, seria  necessário auditar essa dívida, renegociar com o Governo Federal,  há denúncias que o  Governo Federal comprou  Títulos que em valor de mercado correspondia a 20% do seu valor  de face,  por 100% do valor de face. Não sei se os  colegas  blogueiros sabem dessas coisas, mas acho que esse deveria  ser o foco da indignação, essa  dívida está  corroendo as finanças paulistanas, e  traz como consequência uma má  qualidade dos serviços públicos. 




  

domingo, 12 de junho de 2011

PIG x PIF

      O caso Palocci  deixou a blogosfera em  pé de guerra, há quem diga que toda essa confusão foi criada pelo PIG (Partido da Imprensa Golpista) para desestabilizar o governo Dilma, é claro que o PIG tem lado e certamente o Palocci, tava desagradando alguém que banca a publicidade do que eu chamo de  "imprensalão", mas o que me deixa intrigado é  que o ex-ministro  teve a sua consultoria por  4 anos, e nunca nenhum jornalista questionou o que fazia essa empresa, passamos por uma eleição conturbada , em que o pior da direita emergiu, um campanha baseada na  exploração religiosa e seus dogmas, que fez  florescer a intolerância e o ódio a  alguns segmentos da sociedade, e que inviabilizou  debates necessários, tais como: legalização das drogas ( legalizar significa , colocar sobre o controle da lei) , o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a questão do aborto, que são  assuntos tratados pelo viés criminal, pura e simplesmente.

       Se o PIG é  nefasto, nojento, o PIF (Partido da Imprensa Favorável) também  não contribui muito para a divulgação de informações confiáveis, infelizmente para sabermos o que acontece no País, temos que ler várias publicações, e talvez chegamos perto dos fatos.
     Querer imparcialidade da imprensa é  utopia, por mais que se busque essa  isenção, sempre haverá alguma tendência para um dos lados, seria menos pior se essa  inclinação se desse por questões ideológicas, mas o que direciona editoriais e matérias das revistas semanais é sempre o  interesse de quem banca sua publicidade, o povo, o destino do País isso fica relegado a terceiro plano.
    Não é preciso ter uma intuição fora do comum para perceber e concluir que a empresa do Palocci, trabalhava com informações privilegiadas e vendia caro para quem quisesse adquiri-las, mas a questão que coloco é:  por que não questiona-se  essas empresas?  O que levou elas a contratarem os serviços do gênio da economia e das fusões?  E  os outros 273 que tem consultorias, vão continuar tranquilos, fazendo coisa semelhante ao ex-ministro?
    É óbvio que a resposta a essas indagações, não virá. Mas chamo a atenção para o fato , de que  corrupção não é  um processo unilateral, se tem quem se vende, tem quem compra  e tem também quem viu, sabe de tudo e  engaveta para uso oportuno, e nesse  último  caso, PIG e PIF mostram que tem o mesmo DNA.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Luiza Erundina fala sobre a "Tarifa Zero"



November 10, 2009 Por: camarada_d Categoria: daniel guimarãesentrevistas



Na tarde do dia 9 de setembro, Luiza Erundina recebeu a equipe, digamos, do TarifaZero.org na casa que lhe serve de base, de escritório, em São Paulo, para conversar sobre a política de transporte coletivo que marcou – ou deveria ter marcado – seu governo. Muito do reconhecimento de Erundina na política se deve pela experiência de governar a cidade de São Paulo entre 1989 e 1993. Era a primeira vez que o PT chegava ao poder executivo de uma megalópole e Erundina trazia consigo novos ares para a política nacional. Mulher, nordestina, com um histórico de lutas em movimentos sociais, ela precisou vencer resistências até mesmo dentro do partido. Eleita, montou um governo repleto de nomes de peso, como Paulo Freire, Marilena Chauí e Paul Singer, adotando como lema a idéia de “inversão de prioridades”. Ou seja, a compreensão de que era necessário redirecionar as políticas para aqueles que mais necessitavam delas. Aquele governo entrou para a história também como o responsável pela promoção de políticas como os mutirões autogeridos (para equacionar o déficit habitacional), e pelos projetos de alfabetização de adultos (os Movimentos de Alfabetização).
Mas, por algum motivo ainda a ser descoberto, uma das idéias mais inovadoras de seu governo não entrou para a galeria dos feitos mais conhecidos: o Projeto Tarifa Zero, fomentado pela equipe da Secretaria de Transportes, cujo titular era o engenheiro Lúcio Gregori. É sobre este projeto que Erundina fala nesta entrevista, com muita clareza e um pitado de decepção por conta da derrota política que o projeto foi submetido, embora tenha alcançado altos índices de aprovação popular. Essa aprovação é o que a faz acreditar ainda ser possível a aplicação da idéia da tarifa zero. Para Erundina, “se não foi vinte anos atrás, será um dia. A história dá saltos. O importante é você apostar em idéias que são inovadoras e acumular forças. Passa pela vontade popular. Dom Tomás Balduíno já dizia que o novo o povo é que cria”.
Para te explicar: nós temos este site, chamado tarifazero.org, que é consequência da luta que a maioria de nós trava há alguns anos através do Movimento Passe Livre. Não é um site do movimento, mas nasceu para divulgar a idéia que foi, de certa forma, inspirada na experiência que vocês desenvolveram no governo em São Paulo. Como era a conjuntura do governo do início até chegar o momento da idéia da tarifa zero? Como nasceu dentro do governo essa idéia da tarifa zero?
Olha, primeiro: a questão do transporte e do trânsito na cidade de São Paulo foi sempre um problema muito difícil, complexo, desafiador. Não foi diferente na nossa época, até porque nós tínhamos a CMTC (Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos), que respondia, ou deveria responder, por 30% do transporte de ônibus da cidade e nós encontramos  a completamente sucateada. A frota envelhecida, deteriorada, estoques zerados. Basta dizer que havia um único pneu no estoque, no depósito, e esse pneu estava careca. Praticamente 30% do conjunto do sistema não funcionava.


Continue lendo a entrevista no site do "Tarifa Zero"..
http://tarifazero.org/2009/11/10/ficou-a-ideia-entrevista-com-luiza-erundina/2/

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Para comerciante, prefeitura de SP enxerga região da Luz "com cifrão nos olhos"

Para lojistas da Santa Ifigênia, projeto de revitalização da Luz ignora pessoas e privilegia especulação imobiliária.

Para comerciante, prefeitura de SP enxerga região da Luz "com cifrão nos olhos"
Demolições de estabelecimentos comerciais e prédios residenciais são pesadelo de quem mora ou trabalha na Luz (Foto: Maurício Morais/Rede Brasil Atual)
São Paulo - Na esquina da padaria cinquentenária de seu Duarte, o croqui do projeto de revitalização da região da Luz - batizado de Nova Luz - prevê um prédio de vários andares. O dono descobriu o que a prefeitura ensaia para o seu terreno quando visitava o site do projeto. No local, atualmente, os únicos três andares existentes são a sede da Casa Aurora, que reúne em mil metros quadrados da histórica rua de mesmo nome, padaria, restaurante e pizzaria. 
Duarte Maurício Fernandes é um dos milhares de comerciantes e lojistas surpreendidos pelas mudanças na região previstas no projeto da Nova Luz. Entre as alterações urbanísticas que a prefeitura pretende efetuar na região estão a demolição e desapropriação de até 60% dos imóveis, além de construções e reformas.