sexta-feira, 29 de abril de 2011

Luiza Erundina fala sobre a "Tarifa Zero"



November 10, 2009 Por: camarada_d Categoria: daniel guimarãesentrevistas



Na tarde do dia 9 de setembro, Luiza Erundina recebeu a equipe, digamos, do TarifaZero.org na casa que lhe serve de base, de escritório, em São Paulo, para conversar sobre a política de transporte coletivo que marcou – ou deveria ter marcado – seu governo. Muito do reconhecimento de Erundina na política se deve pela experiência de governar a cidade de São Paulo entre 1989 e 1993. Era a primeira vez que o PT chegava ao poder executivo de uma megalópole e Erundina trazia consigo novos ares para a política nacional. Mulher, nordestina, com um histórico de lutas em movimentos sociais, ela precisou vencer resistências até mesmo dentro do partido. Eleita, montou um governo repleto de nomes de peso, como Paulo Freire, Marilena Chauí e Paul Singer, adotando como lema a idéia de “inversão de prioridades”. Ou seja, a compreensão de que era necessário redirecionar as políticas para aqueles que mais necessitavam delas. Aquele governo entrou para a história também como o responsável pela promoção de políticas como os mutirões autogeridos (para equacionar o déficit habitacional), e pelos projetos de alfabetização de adultos (os Movimentos de Alfabetização).
Mas, por algum motivo ainda a ser descoberto, uma das idéias mais inovadoras de seu governo não entrou para a galeria dos feitos mais conhecidos: o Projeto Tarifa Zero, fomentado pela equipe da Secretaria de Transportes, cujo titular era o engenheiro Lúcio Gregori. É sobre este projeto que Erundina fala nesta entrevista, com muita clareza e um pitado de decepção por conta da derrota política que o projeto foi submetido, embora tenha alcançado altos índices de aprovação popular. Essa aprovação é o que a faz acreditar ainda ser possível a aplicação da idéia da tarifa zero. Para Erundina, “se não foi vinte anos atrás, será um dia. A história dá saltos. O importante é você apostar em idéias que são inovadoras e acumular forças. Passa pela vontade popular. Dom Tomás Balduíno já dizia que o novo o povo é que cria”.
Para te explicar: nós temos este site, chamado tarifazero.org, que é consequência da luta que a maioria de nós trava há alguns anos através do Movimento Passe Livre. Não é um site do movimento, mas nasceu para divulgar a idéia que foi, de certa forma, inspirada na experiência que vocês desenvolveram no governo em São Paulo. Como era a conjuntura do governo do início até chegar o momento da idéia da tarifa zero? Como nasceu dentro do governo essa idéia da tarifa zero?
Olha, primeiro: a questão do transporte e do trânsito na cidade de São Paulo foi sempre um problema muito difícil, complexo, desafiador. Não foi diferente na nossa época, até porque nós tínhamos a CMTC (Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos), que respondia, ou deveria responder, por 30% do transporte de ônibus da cidade e nós encontramos  a completamente sucateada. A frota envelhecida, deteriorada, estoques zerados. Basta dizer que havia um único pneu no estoque, no depósito, e esse pneu estava careca. Praticamente 30% do conjunto do sistema não funcionava.


Continue lendo a entrevista no site do "Tarifa Zero"..
http://tarifazero.org/2009/11/10/ficou-a-ideia-entrevista-com-luiza-erundina/2/

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Para comerciante, prefeitura de SP enxerga região da Luz "com cifrão nos olhos"

Para lojistas da Santa Ifigênia, projeto de revitalização da Luz ignora pessoas e privilegia especulação imobiliária.

Para comerciante, prefeitura de SP enxerga região da Luz "com cifrão nos olhos"
Demolições de estabelecimentos comerciais e prédios residenciais são pesadelo de quem mora ou trabalha na Luz (Foto: Maurício Morais/Rede Brasil Atual)
São Paulo - Na esquina da padaria cinquentenária de seu Duarte, o croqui do projeto de revitalização da região da Luz - batizado de Nova Luz - prevê um prédio de vários andares. O dono descobriu o que a prefeitura ensaia para o seu terreno quando visitava o site do projeto. No local, atualmente, os únicos três andares existentes são a sede da Casa Aurora, que reúne em mil metros quadrados da histórica rua de mesmo nome, padaria, restaurante e pizzaria. 
Duarte Maurício Fernandes é um dos milhares de comerciantes e lojistas surpreendidos pelas mudanças na região previstas no projeto da Nova Luz. Entre as alterações urbanísticas que a prefeitura pretende efetuar na região estão a demolição e desapropriação de até 60% dos imóveis, além de construções e reformas.

domingo, 24 de abril de 2011

Tarifa zero

     Desde janeiro de 2011 a tarifa de ônibus em São Paulo custa R$ 3,00, uma tarifa cara dada as condições do transporte público paulistano, vivemos numa cidade com 11 milhões de habitantes, uma frota de 7 milhões de veículos, alcançada em março deste ano, temos menos de 15 mil veículos de transporte coletivo e  6 milhões de passageiros em  dias uteis.
    Neste cenário caótico,  o paulistano recorre a alternativa do transporte individual, que também não ameniza o flagelo que é  se deslocar por essa cidade, sobretudo nos horários de pico, isso sem falar nas enchentes.
    Numa cidade com as  dimensões de São Paulo, o problema do trânsito deve ser  resolvido com investimentos pesados em transporte público, mas o que faz  o poder público?  Aumenta o número de pistas nas marginais, privilegiando o transporte  individual em detrimento do transporte coletivo e impermeabilizando mais o solo.
      Sabe-se que as novas pistas já estão saturadas também, foram cerca de 4 bilhões de reais investidos, e pouca coisa mudou, uma obra que foi cara , rápida e estrategicamente  feita para  aparecer na campanha eleitoral, enquanto isso, o metrô que é o meio mais eficiente de transporte , na minha opinião, está  sucateado e sem investimento nenhum, é a velha lógica tucana de gestão, criar o caos para depois entregar para a  iniciativa privada administrar.
    Na campanha de  2008 o sr Kassab aparecia na TV exibindo um cheque de R$ 1bilhão para ser  investido no metrô,  esse talvez seja o primeiro caso de cheque sem fundo emitido por uma Prefeitura, pois do total prometido,  cerca de R$ 650 milhões foram investido no metrô. Se tivesse utilizado esse dinheiro para  melhorar os corredores de ônibus, para  a aquisição de  novos veículos de transportes teria sido muito mais  útil.
    O Movimento Passe Livre (MPL), que vem bravamente lutando contra o preço absurdo da tarifa do ônibus, tem como reivindicação máxima a "tarifa zero",  ou seja,  transporte público gratuito. Uma idéia que já foi estudada na gestão Erundina e  infelizmente foi enterrada nos governos posteriores que privatizaram o transporte público de São Paulo entregando o serviço a 16 consórcios. 
     Nas últimas eleições o Psol tinha como uma de suas propostas a implantação da tarifa zero na cidade, uma  idéia boa e justa, e que deve voltar a pauta nas eleições de 2012, no entanto, é preciso se dedicar mais a esse tema,  avaliar a custos e de onde virão os recursos para implanta-la. Não podemos  apresentar a população uma idéia boa , sem que ela seja plenamente exequível, lembremos que existem muitos  interesses envolvidos nessa questão e não faltarão  jornalistas  venais dispostos  a desacredita-la.
     Acredito que é possível a implantação da "tarifa zero" , mas de forma gradual; em termos de custos, numa estimativa por baixo, com os dados disponíveis,  o município teria que desembolsar cerca de R$ 5,7 bilhões/ano, estou considerando o custo por passageiro em torno de R$ 1,50,  312 dias uteis  e  6 milhões de passageiros (ida e volta).
     Essa é uma questão complexa e que envolve diversas variáveis, temos de pensar no paulistano que hoje utiliza seu carro para se locomover, e com a implantação da tarifa zero, deverá migrar para o transporte público, que é preciso aumentar a frota de transporte coletivo , o que fazer  com os cobradores e etc...
    Por fim, ao pesquisar informações para escrever este post,  me deparei com uma tabela que mostra a  evolução tarifária ;  no ano de 1994 a tarifa era  R$ 0,50 , temos então que a  tarifa hoje é  500% mais cara, contra uma inflação medida pelo IGP-M,  de 391%, se  for levar em consideração a atualização pela TR, teríamos um aumento de cerca de 170,87%  e a tarifa deveria ser  R$ 1,35.
   
    Veja a tabela,  a partir de 1994:

   
Nº DO DECRETODATA DO REAJUSTETARIFA ÔNIBUS
52.04105/01/20113,00
51.13404/01/20102,70
47.91930/11/20062,30
45.74905/03/20052,00
42.78212/01/20031,70
40.65524/05/20011,40
37.78813/01/19991,25
37.28824/01/19981,00
36.89507/06/19970,90
36.13613/06/19960,80
35.20019/06/19950,65
34.31101/07/1994                           0,50
    

      Certamente esse  assunto não se esgota com esse post, deverei escrever mais sobre essa questão a medida que for  obtendo informações , por ora, aguardo os comentários dos leitores.