segunda-feira, 17 de junho de 2013

Se oriente, rapaz

   E lá vamos nós pra mais um protesto, sim é  justo!  Não, não começou agora, o Movimento Passe Livre  já existe desde 2005,  sempre protestou contra  os aumentos de  tarifa,  contra a condição do transporte público (?), sempre propôs uma  outra política de  mobilidade pras  cidades.  O resultado?  Bem,  nos anos demo/tucanos  a resposta sempre  foi repressão,  bala de borracha, gás lacrimogênio e tudo que é necessário para uma ação truculenta. 
   Mas, em 2012, o povo de São Paulo, quis mudar, quis o novo, e  quem  supostamente atendia  a essa demanda, e foi moldado marketeiramente  pra  atender os  anseios da população, era o senhor  Haddad, com campanha milionária, propostas modernas,  mapeou todos os problemas da  cidade e as  respectivas  soluções.
   Pois bem, começa  2013, como todo  começo de governo, é um pouco  tumultuado, até acomodar  todo mundo  nos seus  lugares e atender as  barganhas de campanha leva tempo,  não deveria ser assim, mas é o que temos.  Havia um clima de esperança, por parte daqueles que  querem uma  cidade  mais justa, mais humana, com menos  violência, enfim uma cidade com um pouco de qualidade de vida.
  Por  outro lado, existe uma boa parcela de  paulistanos que é "anti-petista",  não aceita  bolsa família, não aceita  cotas, não aceita  pobre  viajando de avião e muito menos  empregada doméstica  com direitos trabalhistas.
   Aí vem o primeiro desafio ao  alcaide de plantão,  campanha salarial dos  funcionários municipais, Haddad,  posando de democrático,  estabelece uma  mesa de negociações,  atende os  sindicatos,  atende  os  sindicatos,  atende os sindicatos,  ouve,  ouve,  ouve  e  no final  propõe  índices de  reajustes que é uma  bofetada  no rosto do funcionalismo,  boa parte deles  votaram no PT.  As  relações ficam estremecidas, não contente, o  Prefeito veta boa parte de um projeto de lei  que atendia reivindicação do magistério paulista e foi aprovado na câmara com apoio de  vereadores do PT,  inclusive. 
   Consequência dessas atitudes,  eclode a  greve dos funcionários da educação,  entidades  sindicais que antes não se  entendiam,  juntaram-se contra a postura do  governo. Quando a gente acha que não pode piorar,  a prefeitura endurece o discurso, não quer negociar,  ameaça, faz propaganda descaradamente mentirosa nos meios de comunicação,  foram 22 dias de greve, por inabilidade do senhor Prefeito, que é do  Partido dos Trabalhadores !!!  
  Como já disse, temos basicamente  dois segmentos da  população,  uma que é  conservadora, que é da classe  C, mas  pensa e discursa como se fosse da classe A, acha que protesto é baderna, que  gosta do  Datena,  que tem orgasmos múltiplos com os artigos do Jabor, que vota no Telhada, um povo que é  "ordeiro"  ,  essa turma  é anti-petista;  no outro lado tem o pessoal que tem sede de mudança,  acredita que os espaços  públicos podem  e devem ser usados pela população,  que é  mais crítico,  entende que a  solução pra  violência  passa  por uma  forte intervenção social e não criminal.   Foi esse povo que  votou no Haddad, mas o que se vê é a continuidade dos  anos demo/tucanos e ouso dizer que  está até  pior.
  A maneira como  a  prefeitura lidou com o MPL  foi desastrosa, o  prefeito  quer receber os  manifestantes,  mas já adianta que na  tarifa não mexe,  oras quer  conversar sobre o quê  então?  Vi uma  entrevista , em que  o Prefeito  mais parece um representante das concessionárias de transporte  do que  um representante do povo, e não  foi pra isso que a  população resolveu apostar no "novo". 
  Em resumo,  Haddad,  consegui unir os  dois segmentos da população contra si,  vejo  muita gente  que está aderindo ao protesto de hoje,  não por que acha  o transporte público catastrófico,  que acha  um absurdo 1,25 bilhão de subsídio, que é contra a forma truculenta que a PM trata as manifestações,  que exige participar das decisões da cidade.  Não, é o efeito manada mesmo,  caso  os 15 jornalistas não fossem  agredidos e presos pela ação da polícia,  hoje o MPL estaria sendo taxado de um bando de  vândalos. 
  As  imagens na TV,  chocaram as pessoas,  por que muitos dos atingidos são da classe média, fosse na periferia, o povo mudava pra  novela. e  pobre que se  dane.  De  duas, uma:  ou o protesto de  hoje vai ser mais reprimido do que quinta   ou  vai  virar uma festa,  a  conferir.